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Celacanto
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Ao estampar na capa de seu novo livro de poemas a palavra “celacanto”, peixe que é considerado um “fóssil vivo” por representar espécies extintas há dezenas de milhões de anos, Thiago Ponce de Moraes convoca os leitores para uma reflexão sobre o tempo do fazer poético, ou melhor, sobre a persistência da vida — e da poesia — num tempo hostil. Note-se, ainda, que o título-peixe permite ouvir o nome de Paul Celan, poeta fundamental para o autor, e também “canto”, um dos vários nomes da poesia.
Dividido em sete partes, Celacanto cobre um arco vasto e coeso de questões. Vasto, sim, porque os poemas movem-se entre o amor, a chegada dos filhos, a partida dos avôs e de um amigo, a escrita, a escuta, o silêncio. Mas todas essas indagações estão lançadas no “abismo do presente”, em que “o porvir se afunda”. Não é por acaso que todas as seções, desde seus títulos, são marcadas pela temporalidade (“A pré-história dos sentidos”, “Depois da colisão”, “O tempo da peste”, “A eternidade mantém-se nos limites”, “Demorar-se no sonho dos bichos”, “Uma data em cada mão” e “Antes”).
O poeta é “hóspede do instante”, mas quer saber o que persiste em tudo que se transforma, e busca, em cada verso, “fazer um furo/ no futuro/ lançar uma bomba/ ao futuro”. Por isso, a convocação para que o celacanto, um peixe “contra a lógica do tempo”, desvende “aquilo que insiste em nós” (somos nosso próprio fóssil?). Por isso, descascar as palavras para ver o que elas escondem, o que arrastam do passado. Por isso, manter-se vivo, manter a poesia viva em meio à “fúria obscura/ da passagem do tempo”.
| Páginas | 144 |
|---|---|
| Data de publicação | 01/04/2026 |
| Formato | 20 x 13.5 x 0.7 |
| Largura | 13.5 |
| Comprimento | 20 |
| Tipo | pbook |
| Número da edição | 1 |
| Classificações BISAC | POE000000 |
| Classificações THEMA | DCF |
| Idioma | por |
| Peso | 0.188 |
| Lombada | 0.7 |
| Acabamento | Grampeado |
| Altura | 0.7 |

